Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009
Um simples passeio pela capital asturiana aproxima a umas realidades tão diversas como a história, a cultura, o deporte e o conhecimento. Oviedo é uma cidade de tradição universitária, com monumentos, reconhecidos internacionalmente pela UNESCO e uma rica oferta cultural entre a qual destaca o gosto pela música, em qualquer das suas variantes.
O ilustrador Gaspar Melchor de Jovellanos definiu ao pré-românico como a arte asturiana. As construções, de uma originalidade surpreendente pela sua arquitectura, estão ligadas a uma época medieval precoce onde a corte de um pequeno reino, como o asturiano, se consciencializou da sua relevância num momento histórico em que o legado visigodo tinha perdido força perante o ímpeto de Al-Ándalus. Arte nascida num tempo de príncipes chefes e reis guerreiros que se preocuparam não só de reinar senão de transcender na história com um legado tão potente como o das suas construções.
SANTA MARÍA DEL NARANCO
É um edifício de carácter civil levantado pela iniciativa do rei Ramiro I a meados do século IX. O seu estado de conservação é excepcional. Palácio régio num bosque sagrado, Santa Maria surpreende pelas suas abóbadas semicirculares, os seus arcos murais cegos e os contrafortes, soluções arquitectónicas que se adiantam de mais de dois séculos à Arte Românica e que oferecem como resultado um edifício sujeito a umas magníficas normas de proporção e harmonia com uma estética incontestável.
SAN MIGUEL DE LILLO
É o complemento religioso do palácio régio de Santa Maria, do qual está apenas uns 800 metros. Esta igreja, também construída por mandato de Ramiro I, chegou bastante modificada até ao nosso tempo, já que se conservam só o corpo ocidental e o primeiro lanço de naves. Trata-se de um dos monumentos pré-românicos com mais incógnitas.
FONCALADA
Construída no século IX, possivelmente durante o reinado de Alfonso III, esta fonte pública, edificada sobre uma nascente é uma construção civil única do género, que teria como missão abastecer as necessidades de água dos extramuros de Oviedo. Esta estrutura, em forma de capela abobadada, está rematada pela insígnia da Cruz da Victoria e está reconhecida como Património da Humanidade.
Câmara Santa
CÂMARA SANTA
A sua construção também se atribui ao reinado de Alfonso II O Casto. Na actualidade está integrada na Catedral de Oviedo. Consta de dois andares: o inferior dedicado à cripta de Santa Leocadia e o superior, dedicado a São Miguel, algo muito habitual no mundo carolíngio, santuário das relíquias de São Salvador. No século XI, com o apogeu das peregrinações, o culto das relíquias e de São Salvador fizeram da Câmara Santa um dos santuários mais importantes da Cristandade. Entre os seus tesouros alberga jóias de legenda, vinculadas à história de Astúrias e de Oviedo, como as cruzes da Victoria e dos Anjos, a Arca Santa e a Caixa das Ágatas, além do Santo Sudário. É um dos relicários mais importantes da Cristandade, onde destaca o Santo Sudário, uma tela que segundo a legenda tapou o rosto de Jesus desde a cruz até ao seu enterramento. O Santo Sudário foi protagonista de vários livros editados nos Estados Unidos e é objecto, na actualidade, de uma investigação multidisciplinar do Centro de Sindonologia de Espanha, onde colaboram peritos do mundo inteiro. Um destes peritos determinou, sem nenhuma dúvida, após analisar o linho, que o Sudário de Oviedo e o Santo Sudário estiveram em contacto com o mesmo homem, vítima de uma crucifixão.
A vocação cultural de Oviedo está baseada numa tradição universitária de quase quatro séculos. A cidade dispõe de três importantes museus: Belas Artes, Arqueológico e o museu diocesano da Igreja, além de numerosas galerias e salas de exposições disseminadas por toda a cidade.
Catedral de San Salvador
A Catedral com a sua única torre é um dos símbolos da cidade, que cresceu à volta da Basílica de San Salvador. O templo, sede do Bispado, centro de atracção de peregrinos do Caminho de Santiago graças à frase que se tornou popular até chegar aos nossos dias: "Quem visita Santiago e não o Salvador, visita o criado e não o seu Senhor". A construção foi iniciada a finais da Idade Média. A catedral, um dos cenários da inesquecível Regente de Leopoldo Alas "Clarín", mostra a evolução da arte através dos séculos com vestigios pré-românicos e românicos para um conjunto gótico onde também se fazem concessões importantes a elementos renascentistas e barrocos, como por exemplo o retábulo maior, um dos mais importantes de Espanha.
Museu de Belas Artes de Asturias
O Museu da Igreja está situado na Catedral. Os principais tesouros da "Sancta Ovetensis" encontram-se na Câmara Santa, onde se podem contemplar as Cruzes da Victoria e de Los Ángeles, símbolos de Astúrias e de Oviedo, respectivamente, além da Caixa das Ágatas.
Telefone: 985 20 31 17.
O Museu de Belas Artes é uma das pinacotecas regionais e públicas mais importantes do país. Inaugurado em 1980 ocupa três edifícios do bairro antigo de Oviedo. O seu rico património de mais de 8.000 peças reúne uma significativa colecção de pintura espanhola, com quadros que vão desde a Idade Média até ao século XX além de contar com destacadas obras das principais escolas europeias de pintura, como a italiana e a flamenca.
Telefone do museu: 985 21 30 61.
O Museu Arqueológico de Astúrias, situado em Oviedo no Claustro de San Vicente, desde 1934 (embora a sua criação seja de 1845) foi declarado nesse mesmo ano Monumento Histórico-Artístico. Foi inaugurado em 1952 e empreendeu-se uma restauração. Neste museu são expostos materiais e colecções do Paleolítico que contêm informação sobre todos os períodos dessa era. Também alberga um museu etnológico, uma área inteiramente dedicada à Numismática espanhola desde as moedas hispano-romanas até às da época de Franco, materiais e textos da época romana e uma zona dedicada à época medieval.
Telefone do museu: 985 215 405.
Um dos traços que descrevem com mais precisão a vida
cultural de Oviedo é a imensa adesão que a música, nas suas mais diversas manifestações,
gera entre os habitantes da capital do Principado. É um facto único diferencial
que marca a pauta numa orla cantábrica de especial carácter melómano.
Em Oviedo, a música é motivo de orgulho sinal identitário, uma segunda pele que
impregna uma percentagem da cidade tão alta que não tem comparação no contexto espanhol.
A música na cidade é paixão, motivo de festa e acontecimento, mas sempre dentro
da quotidianidade, não como um facto excepcional.
São vários os pilares sobre os quais descansa o fortim musical da capital do Principado.
Em primeiro e destacado lugar a temporada de ópera coroada como evento cultural
de maior importância de Astúrias que com cinco títulos anuais trazem para a cidade
os melhores de cada âmbito e que também tem continuidade com o Festival da Zarzuela.
Além da lírica, Oviedo tem uma espantosa programação de música sinfónica e de
câmara. A cidade é sede de duas orquestras: a Sinfónica do Principado de Astúrias
e a Sinfónica Cidade de Oviedo. A primeira desenvolve uma ampla temporada anual
de concertos, enquanto a segunda participa nos dois ciclos estrela do Auditório
Príncipe Felipe, as Jornadas Internacionais de Piano e os Concertos do Auditório,
por onde passam cada ano os melhores solistas, directores e formações do mundo.
No município de Oviedo, como noutras zonas de Astúrias,
existem numerosos caminhos antigos ou traçados abandonados de antigas linhas de
caminhos-de-ferro que foram reformados e acondicionados para os passeios
pedestres. Alguns estão incluídos na rede internacional de sendas, que os classifica
e ordena em função do seu comprimento, em G.R. (grande percurso – dois dias ou
mais de 30 quilómetros); P.R. (pequeno percurso – um dia e 30 quilómetros) e S.L.
(sendas locais, de menos de 10 quilómetros). Todas estão devidamente sinalizadas
com as marcas homologadas internacionalmente e estão sob a supervisão da Federação
Espanhola de Desportos de Montanha e Escalada e das suas organizações territoriais.
Outras, de carácter local, que ainda não pertencem a esta rede estão perfeitamente
sinalizadas com indicações homologadas.
Como exemplo destas sendas podemos citar a Rota das peregrinações
(Oviedo-Covadonga) de 104 km, a rota Fuso de la Reina-L'Angliru de 24 km, a via
verde Oviedo-Fuso de la Reina de 7,8 km, ou a Pista Finlandesa que passa pela
vertente do monte Naranco em Oviedo com 2,9 km.
Pista Finlandesa
© Auditório Palácio de Congressos Príncipe Felipe